sábado, 22 de agosto de 2015

CLARA TARDE

Clara, a tarde se encosta
na varanda, preguiçosa,
entre as plantas viçosas
onde busco a resposta

Às perguntas mais vazias
que me chegam de repente
por um vento descontente
cheio de melancolia

Mas, com a tarde, vem a brisa
que, suave, me avisa
do silêncio que pondera

E a resposta amadurece
certo; o verbo então floresce
assim como a primavera


CLARA TARDE - Lena Ferreira

sábado, 15 de agosto de 2015

MEMÓRIAS DE QUINTAIS

Trago, intactas, memórias de quintais
onde as asas da infância, sem ter peso,
levavam-me em voos plenos e infinitos
aos mundos mais diversos, imprevistos
...fantasias

Os pés descalços sacudiam o pó do tempo
e as mãos arteiras sonhando moldar nuvens
riscavam um sol torto e sorridente no chão
quando o céu acordava meio aborrecido
...e ele sorria

Os olhos rompiam as amarras do provável imposto
e sondava a calma impensada do vozerio das cores
que, dançando com o vento em festa sem anúncio,
convidava joaninhas e borboletas para mais uma valsa
...de euforias

Num tempo vívido e vivido entre os sonhos mais reais
...nostalgia?

Não...

Memórias como estas trazem o cheiro das coisas frescas
dos sabores, dos temperos, das andanças mais incautas,
e das tranças da menina tão peralta, leve e solta no balanço
e tão exatas que, em visita, ainda alcanço o seu perfume:
...poesia


MEMÓRIAS DE QUINTAIS - Lena Ferreira -




sábado, 1 de agosto de 2015

PARADOXO

Sentir o ar faltando e sentir sede
e ser a rede pro próprio cansaço
forjando o aço frágil da estrutura
com uma ternura farta no sorriso

Sentir o beijo das brisas serenas
e ser pequena diante do desejo
de agarrar as beiradas do vento
num chamamento imune à negação 

Sentir a palavra dançar qual folha
e ser escolha  enxergar um poema
- onde o problema é visto pelos doutos
outros equacionam os seus dilemas -



PARADOXO - Lena Ferreira -