domingo, 27 de setembro de 2015


o dia acorda e que não seja mais um dia
só um dia a mais para cumprir o calendário
que seja novo o pensamento e, o itinerário,
que me conduza ao equilíbrio, à harmonia

que eu consiga enxergar a poesia
solta nas ruas, nos olhares, cantos vários
e, como alguém que ouve o som de um Stradivarius,
que eu sinta, em cada nota, a nova a sinfonia

de toda voz que se achegar aos meus ouvidos
- de gratidão, lamentos, queixas ou pedidos -
que eu possa ouvir com muita calma e sem censura

o dia acorda virgem e, com um brilho franco,
é como extensa folha de papel em branco
que pede escrita leve e verbos de ternura



 - Lena Ferreira - *

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

ESPERA DE PÁSSARO

Nesses dias de silêncios inquietos, um pássaro tem vindo pousar tranquilo num dos galhos da velha amendoeira que ladeia o meu quintal desordenado em folhas e me feito, ainda mais curiosa, deitar sobre a cena estas especulações:
- seria uma pausa distraída em descanso?
- seria uma espera pelo vento propício?
- seria um tempo para reparar as penas?

Certo nisto é que são somente suposições. E banais...

Fato é que nesse pouso, arquitetado e sereno, o qual supunha uma espera descuidada, ele cumpre prazeroso o seu ofício:
canta...
...canta
canta...
...e canta

- enquanto o tempo, precioso e preciso, desliza manso orquestrado por seu canto -

E quando a ave, suave e leve, ensaia alegremente um voo novo, encantada peço, gentilmente, que aguarde um pouco mais e me ensine a esperar da mesma maneira que um pássaro faz.
  .




ESPERA DE PÁSSARO - Lena Ferreira -